Ainda é a economia

Em entrevista ao UOL, o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, disse acreditar que a economia não derrotará o governo nas eleições deste ano, assim como não garantirá sua vitória. A declaração é prudente e adequada a um ocupante do cargo, mas decerto não corresponde ao que aposta o chefe.

Haddad argumenta que, em recente pesquisa Datafolha, realizada em dezembro, economia, inflação e preços altos foram apontados como os principais problemas do país por não mais de 11% dos entrevistados, atrás de saúde (20%) e segurança (16%). Aponta ainda que o tema continua importante no mundo, mas é menos decisivo num cenário de polarização política.

Por esse raciocínio, humores de um eleitorado radicalizado são mais suscetíveis a emoções, e indicadores favoráveis ao incumbente, como o desemprego mais baixo da série iniciada em 2012, não bastam para sensibilizar os partidários do outro lado.

A tese é interessante —e também pode ajudar a explicar a tolerância de petistas e simpatizantes com maus resultados da administração que elegeram. Teoria à parte, o fato é que Luiz Inácio Lula da Silva, como qualquer candidato competitivo ao governo, atribui papel central à economia em sua estratégia eleitoral.

A sua concepção de economia, claro: impulsionar a demanda, sobretudo o consumo das famílias, por meio do aumento do gasto público, de modo a aquecer a atividade e o mercado de trabalho, mesmo que à custa de mais instabilidade financeira, inflação, juros e dívida pública.

Nas palavras do próprio Lula, na reunião ministerial de dezembro: "Não tem macroeconomia, não tem câmbio; se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema. Está resolvido o problema da industrialização, está resolvido o problema do consumo, está resolvido o problema da agricultura, está resolvido o problema da inflação".

Não foi por outro motivo que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5.000 mensais —anunciada inicialmente, aliás, pelo próprio Haddad, em cadeia de rádio e TV— se tornou a principal bandeira da campanha ao quarto mandato.

Resta saber como Lula lidará com a percepção crescente de que sua política populista está perto do esgotamento.

Em sua primeira candidatura vitoriosa ao Planalto, em 2002, o petista cuidou de preparar o eleitorado para ajustes inevitáveis e, depois, teve a sorte de contar com um ciclo excepcional dos mercados globais; o exemplo oposto no partido é o de Dilma Rousseff, que se reelegeu à base de negacionismo fiscal e perdeu as condições de governar.

Quaisquer que sejam as preocupações primordiais do eleitorado, seu enfrentamento depende de crescimento econômico duradouro, preservação do poder de compra da moeda e solvência do Estado. Sem isso, o "dinheiro na mão do povo" se esvai como o capital político dos governantes.

[email protected]

Endereço da página

Compartilhar

Também avaliaram

Visite Folha de S.Paulo para ler a matéria completa.
O Cidades do meu Brasil é apenas um agregador de notícias e não tem responsabilidade pelos textos publicados. O conteúdo de cada artigo é de responsabilidade exclusiva de seus respectivos autores e veículos de comunicação.

Últimas Buscas

Como fazer

Informações úteis para o seu dia a dia.

Datas Comemorativas de Hoje

Dia de São Sebastião do Rio de Janeiro

São Sebastião (França, 256 d.C. – 286 d.C.) originário de Narbonne e cidadão de Milão, foi u...

Saiba Mais

Dia do Farmacêutico

No dia 20 de janeiro é comemorado o Dia do Farmacêutico. A data foi escolhida em função da funda...

Saiba Mais
Versículo do Dia:
Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
(Jó 19:25)
Bíblia Online