A história do fraco show do Red Hot Chili Peppers no Rock in Rio 2001
Em 3ª passagem pelo Brasil, banda californiana sentiu o peso da longa turnê de “Californication” (1999) e entregou apresentação irregular e protocolar
Por Marcelo Vieira 21 de janeiro de 2026 Compartilhar FacebookTwitterWhatsAppTelegramA expectativa era altíssima quando o Red Hot Chili Peppers subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio 2001, na madrugada de 21 para 22 de janeiro. Não apenas por se tratar do principal show da noite, mas porque a banda vinha de um período de enorme sucesso comercial e criativo com “Californication” (1999), disco que já havia ultrapassado 11 milhões de cópias vendidas no mundo — cerca de 500 mil apenas no Brasil.
Em entrevista concedida momentos antes da apresentação, o baterista Chad Smith prometeu intensidade total, dizendo que a banda “colocaria o p@u na mesa” diante de um público estimado em 250 mil pessoas. A realidade, porém, mostrou-se bem diferente. Apesar de não estar há tanto tempo longe do país — o grupo havia tocado no Brasil em 1999 —, o Red Hot parecia exaurido após quase dois anos ininterruptos de estrada.
O resultado foi um show irregular e marcado por decisões erráticas de repertório, que frustraram parte significativa do público que aguardava um encerramento apoteótico para o fim de semana derradeiro do festival.
Um começo forte e a falsa sensação de explosão
O Red Hot Chili Peppers entrou no palco à 1h15 da madrugada ao som de “Around the World”, seguida por “Give It Away”, “Suck My Kiss” e “Scar Tissue”. Criou-se a impressão de que a banda entregaria uma apresentação capaz de manter o público engajado do início ao fim.
Rapidamente, porém, ficou claro que aquele ímpeto inicial não se sustentaria. O som estava baixo — problema que se arrastaria por quase todo o show — e a banda passou a alternar músicas próprias com covers e longas sessões de improviso. “Quem esperava a quebradeira de 1993, quando o Red Hot tocou no extinto Hollywood Rock, ou uma noitada repleta de hits, deu com os burros n’água”, relatou a Bizz.
Tocando de maneira autocentrada, o quarteto parecia mais preocupado em se divertir do que em dialogar com o público. Flea, normalmente expansivo, apareceu contido — e vestido.
Repertório disperso, covers e saída antecipada
Com exceção de “Pea”, representante solitária de “One Hot Minute” (1995), o setlist ignorou o período em que o guitarrista John Frusciante esteve fora da banda (1992 a 1999). Dos discos anteriores à sua entrada, apenas “The Uplift Mofo Party Plan” (1987) compareceu, com “Me & My Friends”.
As homenagens surgiram de forma dispersa: o punk do Circle Jerks apareceu com “Beverly Hills” e “I Just Want Some Skank”, enquanto o Oasis — banda admirada por Frusciante — foi lembrado em um breve trecho de “Hello”. Em músicas mais lentas, como “Otherside”, a voz de Anthony Kiedis era frequentemente engolida pelo coro do público, que passou a gritar por aumento de volume.
Como o pedido não foi atendido, parte da plateia começou a deixar o local antes mesmo do fim da apresentação.
Um encerramento protocolar para uma noite aguardada
No bloco final, o volume foi ligeiramente elevado, mas a postura da banda permaneceu distante. Os longos intervalos entre as músicas e a falta de interação reforçaram a sensação de piloto automático. O bis trouxe “Soul to Squeeze”, “Search and Destroy” (dos Stooges) e uma jam instrumental que se estendeu por mais de dez minutos.
Quando o relógio marcou 2h10 da manhã, não estava claro se o show havia terminado. A confirmação veio com uma longa queima de fogos, a música-tema do festival e jatos de água lançados por um caminhão-pipa em frente ao Palco Mundo.
O que poderia ter sido um encerramento antológico acabou decepcionando. O Red Hot Chili Peppers deixou o Rock in Rio 2001 com um show aquém de sua história — e da história do festival como um todo.
Setlist — Red Hot Chili Peppers no Rock in Rio 2001:
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