Caso Peretto: irmã e cunhado de empresário morto terão júris separados

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SigaGoogle DiscoverArte/Metrópoles 1 de 1 Entenda quem é quem no assassinato do empresário Igor Peretto, no litoral de São Paulo. Na imagem, Igor Peretto em preto e branco e os 3 acusados pela morte - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

A irmã e o cunhado, acusados de matar o empresário Igor Peretto a facadas, em 31 de agosto de 2024 em Praia Grande, no litoral de São Paulo, irão ao Tribunal do Júri em datas separadas.

Rede de traições

Igor foi morto em uma complexa rede de traições –  que lembra bastante o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, e dificulta a compreensão do caso. A relação entre todos os envolvidos é a seguinte: Igor e Marcelly Peretto são irmãos. Enquanto Igor era casado com Rafaela, Marcelly era casada com Mário. Mário, além de cunhado, era o melhor amigo de Igor.

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Entenda quem é quem no assassinato do empresário Igor Peretto, no litoral de São Paulo. Imagem: Metrópoles

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Entenda quem é quem no assassinato do empresário Igor Peretto, no litoral de São Paulo

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Igor Peretto, Mário Vitorino, Marcelly Delfino Peretto e Rafaela Costa Silva

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Igor Peretto e Mário Vitorino conversam no elevador antes da morte de Igor

Reprodução

Apesar disso, ele teve um caso com Rafaela. Rafaela, por sua vez, já se envolveu amorosamente com Marcelly. Igor, assassinado a facadas pelo cunhado e pela irmã, era o único do grupo que não tinha conhecimento dos relacionamentos extraconjugais, conforme apontou a investigação.

Marcelly Delfino Peretto, de 22 anos, e Mário Vitorino da Silva Neto, 25, são acusados de homicídio com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.

A data dos julgamentos ainda não foi definida. Se condenados, cada um pode pegar até 30 anos de prisão.

Rafaela Costa da Silva, viúva de Igor, separada dele à época do homicídio, também foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e presa, mas foi solta e desclassificada da denúncia pela Justiça (veja mais abaixo).

Processo desmembrado

Os júris serão realizados em datas diferentes porque o processo que apura o homicídio foi recentemente desmembrado. A divisão da ação ocorreu após a família de Marcelly mudar a equipe de defesa dela e desistir de um recurso submetido ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) pelo advogado anterior.

“Quando assumimos a defesa, desistimos do recurso em sentido estrito para ir logo para o julgamento pelo júri. Enquanto isso, o advogado do Mário manteve o recurso. Então, a Marcelly vai ser julgada antes dele”, disse Alex Ochsendorf, que assumiu a defesa da ré no último dezembro.

A equipe que defende Mário manteve a apelação à Corte. Mário Badures, advogado do réu, disse ao Metrópoles que apresentou o recurso por não concordar com as qualificadoras descritas na decisão que pronunciou o acusado pelo homicídio, “assim como as gritantes nulidades processuais”.

“É de se lembrar que a denúncia é falha desde o início, inexistindo provas do tão comentado ‘trisal’ (que só serviu para indevida repercussão do caso nas mídias sociais), assim como outras questões que destoam da prova oral e pericial, como, por exemplo, a motivação econômica e a tese de execução sumária, sem esquecer de qualquer indicativo do envolvimento de Rafaella e de Marcelly com a morte de Igor Peretto”, afirmou o advogado em nota.

A previsão é que o júri de Marcelly ocorra ainda no primeiro semestre deste ano. A defesa de Mário deve se habilitar para participar do julgamento, enquanto debate as supostas “falhas da pronúncia”, recorrendo à Justiça estadual e, “se necessário”, às Cortes superiores, informou Badures.

Correndo na Vara do Júri de Praia Grande, o processo contra Marcelly está em vias de ser concluído no primeiro grau. Segundo Ochsendorf, o assistente de acusação, que representa parte da família de Peretto, e o MPSP foram intimados para arrolar testemunhas e requerer diligências.

Depois da manifestação da acusação, a defesa é intimada a também se manifestar. Somente após esses andamentos, o júri terá data marcada.

Relembre o caso

A manhã do crime

De acordo com a cronologia do crime, elaborada pela Polícia Civil, Marcelly e Rafaela chegaram de carro ao Residencial Vogue, onde Marcelly é proprietária de um apartamento, às 4h32 do dia 31 de agosto de 2024, madrugada de sábado. Antes disso, elas estavam em uma festa junto de Mário e Igor.

Por volta das 5h40, Rafaela saiu sozinha do apartamento de Marcelly e partiu de carro. Apenas 13 segundos depois, Mário e Igor chegam juntos ao prédio. Às 5h44, os dois homens saem do elevador em direção ao apartamento de Marcelly, onde Igor foi assassinado.

Um vídeo mostra os últimos momentos de Igor com vida. Veja:

Vinte minutos depois, às 6h04 do sábado, Mário e Marcelly saem sozinhos pelas escadas do prédio e vão em direção ao subsolo, onde estava estacionado o carro de Mário.

Os depoimentos dos réus divergem quanto aos detalhes do crime. Apesar disso, a Polícia Civil concluiu que houve uma discussão entre o trio. Em dado momento, Mário desferiu diversos golpes de faca em Igor, que morreu no local.

Após o homicídio, o cunhado e a irmã de Igor partiram de carro em direção ao apartamento de Mário. De lá, o casal seguiu para a estrada, tendo encontrado Rafaela aproximadamente às 8h48 no Posto Olá, no km 124 da Rodovia Governador Carvalho Pinto.

Uma hora depois, o trio chegou em Campos do Jordão (SP). Marcelly teria pegado um carro de aplicativo e retornado para a Praia Grande, enquanto Rafaela e Mário foram a um motel em Pindamonhangaba, no interior, para que ele trocasse as roupas sujas de sangue.

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Motel em que Rafaela Costa da Silva e Mário Vitorino da Silva Neto foram após assassinato de Igor Peretto. Imagem: Polícia Civil

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Quarto onde Mário e Rafaela ficaram em Pindamonhangaba. - Imagem: Polícia Civil

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Suíte 25 do Motel Miami, onde Rafaela e Mário se hospedaram. Imagem: Polícia Civil

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Honda HR-V preto de Mário. Imagem: Polícia Civil

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Carro de Mário abandonado no centro de Pindamonhangaba. Imagem: Polícia Civil

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Manchas de sangue no veículo. Imagem: Polícia Civil

Polícia Civil

Prisões e soltura de viúva

Rafaela e Marcelly se apresentaram à polícia e prestaram depoimento no dia 6 de setembro de 2024, dia em que foram presas preventivamente. Mário foi encontrado apenas no dia 15 daquele mês, na casa de um tio de Rafaela na cidade de Torrinha, no interior de São Paulo. Assim que foi capturado, ele também foi preso preventivamente.

Rafaela foi solta em 17 de outubro, após ter alvará expedido pelo TJSP. O magistrado responsável pelo caso apontou que não havia materialidade suficiente para acusá-la por homicídio e, assim, mantê-la detida.

O juiz Felipe Esmanhoto afirmou que a participação de Rafaela no caso aponta para possível “favorecimento pessoal”. A Promotoria recorreu da decisão que libertou a mulher ao menos duas vezes, mas os recursos foram negados pela Corte paulista.

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