O mundo lembra a queda do muro
Berlim
–
Vinte
anos
depois
de
o
Muro
de
Berlim
ter
caído
em
meio
a
uma
revolução
pacífica,
líderes
de
todo
o
mundo
seguem
até
a
capital
alemã
para
festejar
o
momento
histórico.
Cerca
de
100
mil
pessoas
são
esperadas
para
o
ápice
das
celebrações
no
Portão
de
Brandemburgo
nesta
segunda-feira,
um
potente
símbolo
da
unificação
incrustado
nos
limites
da
falha
tectônica
que
separava
Oeste
e
Leste
durante
a
Guerra
Fria.
A
Alemanha
Unida
tem
recebido
atenção
global,
no
vigésimo
aniversário
da
queda
do
muro.
Há
eventos
grandiosos
e
também
menores,
recordando
a
excitante
noite
em
que
as
autoridades
comunistas
surpreenderam
o
mundo
ao
de
repente
abrir
a
fronteira.
Após
28
anos
como
prisioneiros
em
seu
próprio
país,
eufóricos
alemães
orientais
seguiram
para
os
postos
de
controle
e
passaram
por
confusos
guardas,
muitos
chorando
nos
barcos
de
alemães
do
outro
lado
da
fronteira,
que
os
recebiam.
A queda do Muro de Berlim ressoou por todo o mundo naquela noite, abruptamente encerrando a Guerra Fria e abrindo caminho para a unificação da Alemanha. O país estava dividido desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
“A destruição da Cortina de Ferro em 9 de novembro de 1989 é ainda o evento político mais marcante da vida da maioria das pessoas: isso liberou milhões de indivíduos e levou ao fim do conflito global que ameaçou provocar a aniquilação nuclear”, afirmou a revista semanal britânica The Economist nesta semana.
Às vésperas das festividades, a chanceler alemã, Angela Merkel, falou na terça-feira em sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos. No discurso esteve presente a imagem do muro, e Merkel agradeceu Washington pelo decidido apoio à unificação alemã. Também pediu um reforço na cooperação transatlântica em temas cruciais, como mudança climática.
“Eu estou convencida de que, assim como tivemos a força no século 20 para provocar a queda de um muro feito de concreto e arame farpado, devemos agora mostrar a força necessária para superar os muros do século 21”, afirmou Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental.
Os líderes de Grã-Bretanha, França e Rússia devem seguir para Berlim, bem como a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Ela representará o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enquanto ele viaja pela Ásia.
Também participarão o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, o ex-presidente polonês Lech Walesa e ativistas de direitos civis da Alemanha, que se encontrarão na Bornholmer Strasse, um dos lugares onde o muro primeiro foi erguido.
O maestro Daniel Barenboim, que tem cidadania argentina e israelense, liderará a orquestra da Ópera Estatal e o coro, em um concerto no Portão de Brandemburgo. Depois, Gorbachev deve derrubar as primeiras peças gigantes de dominó que cairão ao longo de dois quilômetros, na rota onde ficava o muro. O roqueiro norte-americano Bon Jovi e o DJ alemão Paul van Dyk irão entreter a multidão durante a noite.
Há encontros bilaterais planejados para ocorrer às margens da comemoração, sobre temas urgentes como as ambições nucleares do Irã, a guerra no Afeganistão e a escolha do primeiro presidente permanente da União Europeia.
Quarta economia do mundo, a Alemanha ganhou confiança e influência no cenário mundial nas duas últimas décadas. Berlim também ganhou espaço como uma das avançadas capitais da Europa. Porém o país ainda guarda as marcas da divisão, com o desemprego no leste ainda quase o dobro do registrado no oeste. Além disso, há a duradoura desconfiança entre os “arrogantes” do oeste e os “ingratos” moradores do leste.
Nesse meio tempo, ex-comunistas que construíram o Muro de Berlim uniram forças com insatisfeitos social-democratas para criar um novo partido político, A Esquerda, que capturou mais de 10% dos votos nas eleições gerais de setembro.
O cientista político Jochen Staadt, que estuda a República Democrática Alemã (RDA) na Universidade Livre de Berlim, diz que há ainda diferenças consistentes entre os alemães do leste e do oeste. “As pesquisas mostram que, quando questionados sobre o que é mais importante para eles, a igualdade ou a liberdade, os moradores do oeste em grande parte preferem a liberdade, enquanto os do leste dizem igualdade, querendo dizer igualdade econômica”, diz Staadt.
O pesquisador nota que a Alemanha fez um trabalho melhor que muitos de seus ex-aliados no bloco do leste em relação à garantia da legalidade após a existência de Estados repressivos. “A República Federal foi certamente mais rápida e abrangente em termos de superar os crimes da polícia secreta na Polônia e mesmo na Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra”, afirma ele.
Mundo ganha uma nova roupagem
Berlim (AE) – Pincelada a pincelada, Gerhard Kriedner aplicava tinta acrílica rosa com um pequeno pincel, em uma faixa de 13 metros do Muro de Berlim. A pintura recria outra, realizada por ele meses após a queda do Muro de Berlim, ocorrida em 9 de novembro de 1989. Kriedner e outros 90 artistas de todo o mundo se uniram para repintar suas criações originais nas placas de concreto, trazendo nova vida a imagens carcomidas pelas intempéries ao longo de duas décadas, na maior área remanescente do muro que antes dividia a capital alemã. “Isso é algo muito emocionante para mim”, diz Kriedner, hoje com 69 anos. Ele conta que escapou da República Democrática Alemã comunista para a República Federal Alemã, a oeste, quando ainda era jovem. “O Muro de Berlim representa a total falta de liberdade que tínhamos naquela época.”
Enquanto os berlinenses inicialmente estavam ansiosos para derrubar a estrutura, nos últimos meses tem havido um grande esforço para restaurar a Galeria do Lado Leste do muro, com extensão de 1,3 quilômetro. O local tornou-se um ponto turístico, com 106 diferentes pinturas e artistas.
“O muro estava podre de lado a lado”, nota Kriedner, em um frio dia de outono, enquanto realiza as últimas pinceladas em sua obra – uma paisagem escura, árida, interrompida por bolas de sabão coloridas em rosa e azul-claro. O trabalho do artista é sua interpretação da promessa socialista, em oposição à realidade que vivenciou.
“Para restaurar o muro, todo o trabalho artístico (anterior) foi removido, o concreto foi raspado até as estruturas de aço e então tudo foi reaplicado, mas dessa vez com tintas acrílicas à prova d’água”, explica o artista bávaro. Kriedner revela que trabalha com uma foto do trabalho original, para garantir fidelidade à primeira proposta.
Kani Alavi, o chefe da Associação das Galerias de Artistas do Lado Leste, tem sido um importante agente por trás da restauração do muro, iniciada em outubro de 2008. Alavi realizou durante anos uma campanha para coletar 2,5 milhões de euros (US$ 3,7 milhões) dos governos municipal, estadual e federal para a restauração. O projeto inclui uma sala e um pagamento para os artistas, que de outro modo precisariam trabalhar de graça. Do grupo inicial de artistas, apenas cinco não quiseram participar do projeto de renovação. Seis outros morreram e seus murais foram restaurados por outras pessoas.
“Nós acreditávamos que era realmente importante recriar as pinturas porque, agora, há toda uma nova geração que não se lembra do Muro de Berlim original e dos eventos históricos que levaram à reunificação alemã”, diz Alavi, artista nascido no Irã, que já restaurou seu próprio mural na famosa passagem do Checkpoint Charlie, um posto militar de controle da Guerra Fria. Ele fez sua intervenção inicial logo na primeira noite da abertura da fronteira.
Todos os dias, a Galeria do Lado Leste, no bairro de Friedrichshain, atrai milhares de turistas, registrando suas fotos diante dos murais.
O lado ocidental do muro foi coberto com grafite durante décadas, desde que a barreira foi erigida, em 13 de agosto de 1961. A porção oriental permaneceu desolada e fortemente protegida por guardas de fronteira durante décadas. Apenas depois do fim do muro um grupo de artistas decidiu decorar os escombros – foi o primeiro projeto artístico conjunto, na capital outrora dividida.
Eles convocaram artistas de todo o mundo, para se unirem a eles e expressar seus sentimentos em desenhos e cores, naquele que no passado era o intocável muro do lado oriental. “Nós não tínhamos nada, a não ser tinta e pinceis baratos, mas estávamos tão eufóricos sobre todas as mudanças históricas e queríamos expressá-las em nossas pinturas”, afirma Alavi. O iraniano acrescenta que os murais mostram a alegria e a esperança da superação da injustiça, um sentimento comum entre as pessoas da época.
FacebookTwitterWhatsAppTelegram Últimas Notícias EconomiaInstabilidade afeta aplicativos de bancos e prejudica operações neste sábado
7 de fevereiro de 2026 EditorialEditorial: O dever da transição em um Estado engessado
6 de fevereiro de 2026 BrasilAluno mata professora a facadas dentro de sala de aula em faculdade de Porto Velho
7 de fevereiro de 2026 PolíticaAllyson Bezerra confirma pré-candidatura ao governo do RN e anuncia Hermano Morais como vice
7 de fevereiro de 2026 NatalFamílias deixam casas após lagoa transbordar na ZN
7 de fevereiro de 2026 RNChuvas acumulam volumes acima de 140 mm no Agreste Potiguar
7 de fevereiro de 2026 BrasilCovid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil
7 de fevereiro de 2026 RNNeoenergia Cosern reforça número de equipes em campo em 200% para atender ocorrências durante chuvas
7 de fevereiro de 2026 Leia mais Notícias Relacionadas InternacionalCasa Branca apaga post racista contra casal Obama e diz que vídeo foi erro de funcionário
6 de fevereiro de 2026 InternacionalHomem que tentou matar Trump é condenado à prisão perpétua
5 de fevereiro de 2026 InternacionalGoverno Trump anuncia a saída imediata de 700 agentes de imigração de Minnesota
4 de fevereiro de 2026 InternacionalJustiça argentina pede aos EUA extradição de Maduro por crimes de lesa humanidade
4 de fevereiro de 2026 InternacionalBill e Hillary Clinton concordam em testemunhar na Câmara dos EUA sobre caso Epstein
3 de fevereiro de 2026 InternacionalTrump fecha acordo com Índia, corta tarifa a 18% e garante compra de US$ 500 bi em bens dos EUA
2 de fevereiro de 2026 InternacionalNovos arquivos de Epstein expõem Trump, Musk, Bill Gates e outros poderosos
1 de fevereiro de 2026 InternacionalEmbaixadora dos EUA chega à Venezuela para reabrir missão diplomática após sete anos
1 de fevereiro de 2026Visite Tribuna do Norte para ler a matéria completa.Últimas Buscas
- » ronaro marinho
- » clarissa brandao
- » gabriel leite
- » julia lloyd
- » colegio sao matheus
- » agroe cultura
- » cassinos
- » candoi - parana
- » escolas no municipio de itapetinga - ba
- » itapecirica da serra
- » joaquim lopes neto
- » spricigo
- » certidAo
- » escolas de sorocaba sp
- » lilinha rios
- » dona lilinha
- » lilinha
- » costa rica ms agosto de 2025
- » campeoes da areia
- » muniz ferreira
Como fazer
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.
(Lucas 6:38)
Bíblia Online