Mas não pode chamar de genocida

Jair Bolsonaro processa e intimida quem o chama de genocida (Marcos Corrêa/PR)

Tem uma porção de gente sendo processada, presa ou intimidada por chamar Jair Bolsonaro ou sua política de saúde de “genocida”.

A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu cinco rapazes. A Polícia Civil intimou Felipe Neto. Até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, já foi processado. E tem mais um monte de gente de que a gente nem sabe.

No Brasil de Bolsonaro, é proibido chamar Bolsonaro de genocida.

Bolsonaro minimizou os riscos da pandemia, levando a população a correr riscos desnecessários, e fez pouco das mortes. Mas não pode chamar Bolsonaro de genocida.

Bolsonaro recusou-se a preparar um plano nacional de combate à pandemia, e demorou um tempo inacreditável para preparar um pacote de auxílio à população carente. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro fez e faz campanha contra o uso de máscaras, estimula aglomerações, recomenda o uso de medicamentos inúteis e perigosos. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro vetou lei que garantia fornecimento de água a indígenas. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro escorraçou Mandetta porque ele cumpria as recomendações científicas, e escorraçou Teich porque ele se recusou a recomendar medicamentos perigosos. Manteve Pazuello porque ele cumpria sua determinação de não seguir as recomendações científicas. Recusou-se a nomear Ludhmilla porque ela pretendia cumpri-las. Nomeou Queiroga porque ele vai ser outro Pazulello. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro comprou poucos testes e esqueceu sete milhões deles (que caducaram) num galpão. Põe em dúvida, sem fundamento, a quantidade de óbitos por Covid dela decorrentes. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro se negou a comprar vacinas em agosto. Fez campanha contra a vacina. Recusou-se a se vacinar. Pressionou a Anvisa para negar registro à Coronavac. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro se negou a comprar seringas e agulhas em agosto. Quando Pazuello as contratou, Bolsonaro proibiu a compra. Tentou impedir o Butantan de fornecer vacinas diretamente para os estados. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro deixou faltar oxigênio nos hospitais apesar de saber que a falta era iminente, depois mandou o oxigênio do Amazonas para o Amapá. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro simulou falta de ar, debochando dos doentes. Mas não pode chamar de genocida.

Bolsonaro entrou com a ação no Supremo Tribunal Federal para impedir governadores de tomar medidas que salvarão vidas. Mas não pode chamar de genocida.

O Tribunal Penal Internacional, em Haia, investiga Bolsonaro por genocídio. Mas não pode chamar de genocida.

Não pode chamar Bolsonaro de genocida, porque senão ele processa por crime contra a honra. Bolsonaro, como se sabe, é um homem honrado — são, todos eles, todos homens honrados.

Mas se for para escolher um único adjetivo para definir o comportamento de Bolsonaro, não sobra nada além de…

Genocida.

Visite Veja para ler a matéria completa.
O Cidades do meu Brasil é apenas um agregador de notícias e não tem responsabilidade pelos textos publicados. O conteúdo de cada artigo é de responsabilidade exclusiva de seus respectivos autores e veículos de comunicação.

Últimas Buscas

Como fazer

Informações úteis para o seu dia a dia.

Datas Comemorativas de Hoje

Dia do Gari

Os garis são os profissionais da limpeza pública que recolhem o lixo das moradias, edifícios come...

Saiba Mais
Versículo do Dia:
O Senhor é bom e justo; por isso mostra o caminho aos pecadores.
(Salmos 25:8)
Bíblia Online