Torres Vedras cancela Carnaval entre os dias 12 e 18
Torres Vedras decidiu cancelar entre os dias 12 e 18 os festejos do Carnaval do concelho, um dos maiores e mais tradicionais do país, devido ao mau tempo que provocou prejuízos no concelho, foi este domingo anunciado.
“Perante a situação excecional que o concelho de Torres Vedras e a região atravessam, resultante de fenómenos climáticos extremos, e tendo como prioridade absoluta a segurança e o bem-estar das populações, o Carnaval de Torres Vedras não se realizará entre 12 e 18 de fevereiro”, divulgou a organização em comunicado.
“O município mantém a intenção de realizar o Carnaval quando e se estiverem reunidas as condições necessárias, em data a definir”, é ainda referido.
No comunicado sublinha-se que “a prioridade é a recuperação do território, o apoio às famílias afetadas e a reposição da normalidade”. Já tinha sido cancelada a inauguração, no centro da cidade, do monumento alusivo ao evento, a 23 de janeiro, e a ida a Lisboa de uma embaixada carnavalesca, no sábado da semana passada.
O Carnaval de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, tem este ano como tema “Mundo encantado”. Conhecido como “o mais português de Portugal” por manter as tradições do Entrudo português, celebrou o seu primeiro centenário e foi inscrito no Património Cultural Imaterial Nacional em 2023.
É conhecido pela sátira social e política, a originalidade dos seus carros alegóricos e pela forte participação popular e envolvimento da comunidade.
As manifestações do Carnaval espontâneo em Torres Vedras, característica que persiste até hoje, remontam ao século XIX, mas foi em 1923 que uma elite local republicana e um grupo social comercial/industrial emergente iniciou os festejos organizados nas ruas.
Os primeiros reis da festa, dois homens, e a comitiva régia, composta por ministros, embaixadores e ‘matrafonas’ surgiram em 1924.
Em 1941 e 1945, os festejos foram interrompidos com a Segunda Guerra Mundial, e em 1953, 1954 e 1956, no período do pós-guerra, mas foram revitalizados nas décadas de 60 e 70 do século passado, tendo aí aparecido as figuras dos Zés Pereiras, os carros alegóricos e o primeiro passeio trapalhão, que permaneceram até hoje.
Nas décadas de 80 e 90, o Carnaval ganhou dimensão graças à sua mediatização, tendo a organização passado para a câmara municipal e para uma comissão. Em 1990, passou a haver corso escolar, desde 1999 é erguido no centro da cidade um monumento alusivo ao Carnaval e, em 2000, a organização foi entregue à empresa municipal Promotorres.
As festividades voltaram a ser canceladas em 2021 e 2022 devido à pandemia de Covid-19.
Nos últimos anos, o evento passou a atrair meio milhão de visitantes nos vários dias em que ocorre e gera receitas de cerca de 12 milhões de euros na economia local.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde o dia 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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