Marcelo Macieski Criciúma
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Enviar no WhatsApp Seguir Receba as principais notícias no WhatsApp Portaria do governo federal deve ser publicada na manhã desta quinta-feira (11); pescadores já estão autorizados a retomar as atividadesFoto: Reprodução/Lucas Sabino/Prefeitura de Balneário Rincão/ND MaisO Sul de Santa Catarina deve ser incluído na portaria que amplia a cota de pesca da tainha, na modalidade de arrasto, para mais de 400 toneladas. A informação inicialmente divulgada apontou que somente os pescadores do Norte catarinense seriam contemplados pela ampliação.
No entanto, segundo a presidente da Colônia de Pesca Z-33 do Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina, e membra da FEPESC (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina), Maria Aparecida Luciano, a Cida, a ampliação da cota foi dividida entre as duas regiões pesqueiras durante uma reunião na quarta-feira (10).
“Pelos relatos, parecia que todo o Sul já tinha pescado, então as toneladas acabavam saindo só pro Norte. Na quarta-feira, passamos o dia inteiro em luta e em reunião para readequar essa portaria. À noite bateram o martelo: para todo o estado de SC, 400 toneladas”, disse.
Comoção de pescadores foi política, afirma Cida
Pesca em Santa CatarinaFoto: Reprodução/Ricardo Wolffenbüttel/SECOM/Divulgação/ND MaisA portaria que aumenta a cota ainda não foi publicada, mas de acordo com Cida, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) já foi instruído a não apreender pescadores que estão exercendo a atividade.
Conforme Cida, a comoção pelo encerramento da atividade pesqueira no estado foi uma manobra política, tendo em vista que todos os membros das 40 colônias da FEPESC estavam cientes das negociações para o aumento da cota.
“A eleição é polarizada, então virou essa bagunça. Foram para a rua, levantar bandeira, mostrar pescador chorando. Todos os pescadores sabiam que estava em negociação. Todos os pescadores das 40 colônias”, destacou.
Cida reforçou que, desde a criação da cota para pesca da tainha, há três anos, a flexibilização do limite sempre foi negociada com o governo federal. “O ano retrasado a cota não foi atingida, no ano passado, na hora que ela foi atingida, aconteceu a mesma coisa. O GT (Grupo de Trabalho) Tainha se reuniu e aumentou a cota. E foi suficiente”, afirmou.
Pequenos produtores sofrem para comercializar produção
Pequenos produtores sofrem para comercializar produçãoFoto: Reprodução/NDTV Record/NDMaisApesar da liberação da pesca, o maior problema enfrentado pelos pequenos produtores é a dificuldade de comercialização do pescado. Cida revelou que muitos pescadores estão vendendo a tainha com um preço reduzido, principalmente por não possuírem espaço para armazenamento. “Eu acho que essa é a luta mais necessária. Não é aumentar a cota, é comercializar o nosso pescado”, destacou.
Segundo Cida, o GT Tainha está se mobilizando para incluir a tainha em programas alimentares estaduais e federais. No entanto, a falta de infraestrutura dos pequenos produtores para o processamento do pescado é um empecilho para ofertar a tainha em nível industrial.
“Estão comprando tilápia porque é mais fácil de processar, só que não se compra uma cota da pesca extrativista de Santa Catarina. Não se vê uma tainha ou um bagre na merenda escolar. Precisamos mudar essa política, achar espaço para beneficiar o nosso pescado”, concluiu.
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