O mundo recuou 10 anos nas redes sociais: foi 2016 o último bom ano?

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Georgi Licovski / EPA

Eder, o “patinho feio” da seleção, marcou o golo que fez história na final do Euro 2016

Toda a gente está de repente a reviver o passado, mais especificamente, o ano 2016. Mas porquê?

Estamos em 2026 há pouco tempo, mas nas redes sociais, muitas vezes, parece que afinal saímos de 2025 e recuámos uma década no tempo. É a nostalgia millennial a manifestar-se no Instagram e no Tik Tok, recordando uma era que considera mais simples.

Nos últimos dias, as redes sociais encheram-se de fotografias antigas publicadas, com a estética de há uma década que já parece distante: o lo-fi, o eyeliner carregado, as skinny jeans, os clássicos filtros das fotos (também carregados) e os youtubers. Ou o mannequin challenge, ao som de Black Beatles:

@vu2u8 #nostalgia #mannequinchallenge #2016#2017#viral#foryoupage #blackbeetals @glxckzspizn ♬ original sound – cxld

A tendência espalhou-se rápido a celebridades, influencers e marcas. Especialistas interpretam-no como nostalgia por um tempo percebido como mais leve, autêntico, menos exaustivo.

A onda revive também memórias de um ano marcante na cultura pop, a marca sonora, com êxitos que definiram a década:

No Spotify, houve um aumento de 71% nas playlists com músicas do ano 2016, e as pesquisas por “2016” aumentaram 452% no TikTok, segundo o próprio TikTok, citado pela BBC. A primeira música desta lista, Lush Life, de Zara Larsson, reentrou no top 40 do Reino Unido em dezembro e chegou ao oitavo lugar no primeiro mês do ano.

Muitos recordam roupas que estavam na moda, memes, mas também a forma como viviam, as publicações mais simples que colocavam nas suas redes sociais, muito antes de o ecossistema das plataformas ser dominado por Reels e Shorts, inundados de conteúdos rápidos, gritantes e minuciosamente embelezados e planeados, ou até gerados por inteligência artificial.

Para especialistas em redes sociais e relações públicas, a popularidade do ano 2016, 10 anos depois, revela um desejo mais profundo. Hailey Bailey, fundadora da agência Image PR, descreve ao Business Insider a tendência como um apelo à inocência, promessa e ingenuidade daquele verão. Muitos millennials olham agora para o presente com uma sensação de desfasamento entre expectativas e realidade: dificuldade em comprar casa, incerteza nas relações, pressão profissional e adiamentos sucessivos de decisões como ter filhos. Nada que ocupasse a sua mente em 2016.

Para a estrategista digital Kar Brulhart, o fenómeno funciona como uma pausa: é uma forma de revisitar 2016 numa altura em que muitos sentem que “já não sabem” o que publicar ou como se posicionar online. Por outro lado, diz, está ligado ao gosto crescente por hábitos e objetos “analógicos”.

Em 2016, Game of Thrones ainda não tinha desiludido ninguém no pequeno ecrã, e andávamos a atirar garrafas na esperança de que elas aterrassem de pé (lembra-se do bottle flip challenge?).

E em Portugal? O que se passou de nostálgico em 2016? Como era viver nesse ano?

A fotografia deste artigo não está lá por acaso: Éder foi herói, ao marcar o golo da vitória do Euro 2016 frente à França, aos 109 minutos: as as ruas encheram-se de bandeiras, buzinas e abraços entre os amantes de futebol e os que nunca quiseram saber do desporto; na rádio, tocava “Sorry” de Justin Bieber e “Do You No Wrong” de Richie Campbell. Mas como diz um dos hits de 2016, um dia “Tudo Muda”.

ZAP //

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