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Miguel A. Lopes / LUSA

Luís Montenegro e Luís Marques Mendes

O tombo de Marques Mendes foi evidente. Montenegro e PSD torcem para que Seguro ganhe. “O PS de Costa morreu”.

Na noite das eleições presidenciais, Luís Montenegro foi à sede de campanha de Luís Marques Mendes. Deu um abraço ao candidato presidencial.

Mas o primeiro-ministro, presidente do PSD e o próprio partido não vão cair para nenhum lado na segunda volta.

“O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação; nem é suposto fazê-lo. O PSD foi escolhido para governar o país e é isso que fará nas próximas semanas”, anunciou Montenegro, ainda no domingo passado.

O partido vai ficar neutro. Mas, nos bastidores do PSD, a escolha é óbvia: António José Seguro deve ser o próximo presidente da República. E com um estilo cooperante, descreve o Observador.

O Governo já estará a preparar a relação com Seguro. E espera que o antigo secretário-geral do PS “mostre independência”, que se distancie do partido que liderou.

O PSD não vê em António José Seguro um obstáculo sério. Ou seja, não vê em Seguro alguém que se torne num entrave permanente às decisões da Assembleia da República ou do próprio Governo.

Seguro não é um candidato do socialismo, indica uma figura de alto nível da AD, não identificada.

“António José Seguro é um guterrista, um centrista no PS. Ele vai pôr a andar todos aqueles que, no PS, o tentarem puxar para o confronto directo com o Governo”, comenta um elemento do Governo.

Aliás, dentro do PSD comenta-se algo mais: “O partido de António Costa morreu na noite de 18 de Janeiro de 2026”. O PS mudou na noite destas presidenciais, acredita-se.

André Ventura a presidente da República? Praticamente nem é uma hipótese nos bastidores do PSD e do Governo.

“Não sei de nada”

Tudo isto depois de uma derrota histórica. Marques Mendes foi o candidato apoiado pelo PSD (ou candidatura do próprio partido) com pior resultado de sempre.

Marques Mendes anunciou desde cedo que seria um candidato independente à presidência da República. Na noite de apresentação da candidatura, até disse que entregou o seu cartão de militante do PSD como sinal de compromisso.

Mas, três meses depois, o Conselho Nacional do PSD aprovou o apoio do partido à candidatura presidencial de Marques Mendes. E, na campanha eleitoral, Luís Montenegro esteve presente na comitiva de Marques Mendes, além de Hugo Soares ou diversos ministros do actual Governo.

Ou seja, o tombo de Marques Mendes (11,3% dos votos, recorde-se) é um tombo da AD.

O Observador escreve que “o meteoro caiu com estrondo” no PSD. Mas, dentro do partido, a atitude é esta: “Não sei, não vi e não estive lá”.

ZAP //

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