Bunker da Revolução de 32 e catedral estilo Notre-Dame: o tesouro escondido nesta cidade paulista
Bunker da Revolução de 32 e catedral estilo Notre-Dame: o tesouro escondido nesta cidade paulista // IMAGEM ILUSTRATIVA
Ana Carolina
Destaques 247Situada a cerca de 150 km de São Paulo, Mogi Mirim é um destino surpreendente que une história militar, arquitetura monumental e tradição ferroviária. Conhecida como “Cidade Simpatia”, o município oferece roteiros que transportam o visitante desde os tempos dos bandeirantes até as cicatrizes da Revolução Constitucionalista de 1932.
1Para os entusiastas de história, o Abrigo Subterrâneo Luiz Milano Filho é uma atração única. Este bunker, escondido sob o Bosque das Jabuticabeiras, foi utilizado por tropas paulistas em 1932 e é o único do tipo preservado na região. Complemente a visita histórica na Praça 9 de Julho, onde um mausoléu homenageia os combatentes locais da Revolução Constitucionalista.
2A grandiosidade da Igreja Matriz de São José domina a paisagem urbana. Com torres de 32 metros e um projeto que evoca a elegância da Notre-Dame de Paris, esta “Notre-Dame do interior paulista” é um dos maiores orgulhos arquitetônicos da cidade. É o ponto de partida ideal para explorar o centro histórico, que guarda o charme e as memórias da época de ouro da Companhia Mogyana.
3Além do patrimônio, Mogi Mirim convida ao lazer e à boa mesa. O Complexo Lavapés (o “Zerão”) oferece espaço ao ar livre para a família, enquanto o Zoológico Municipal garante diversão educativa. Para fechar o roteiro, a diversificada gastronomia do Polo Gastronômico local, com influências mediterrâneas e sul-americanas, prova que a cidade é, de fato, um dos destinos mais simpáticos do estado.
A 153 km de São Paulo, Mogi Mirim reúne em pouco mais de 90 mil habitantes uma combinação rara para o interior paulista. Guarda um bunker subterrâneo usado pelas tropas paulistas na Revolução Constitucionalista de 1932, único conhecido na região, e uma catedral em estilo gótico-romano apelidada de Notre-Dame de Mogi Mirim, com 68 metros de comprimento. É a mesma cidade por onde passou o Anhanguera em 1721 rumo às minas de ouro de Goiás, onde Dom Pedro II inaugurou a estação ferroviária em 1875 e que hoje recebe cerca de 30 mil turistas por mês, segundo o portal oficial de Turismo do Estado de São Paulo.
O pequeno rio das cobras que virou entroncamento paulista
O nome vem do tupi “moî’ymirim”, que significa “pequeno rio das cobras”, em referência ao Rio Mojimirim que corta a região. A cidade foi fundada por bandeirantes que buscavam pedras preciosas em Minas Gerais e Goiás. A freguesia de São José de Mogi Mirim foi criada em 1751 e elevada a vila em 22 de outubro de 1769, data que marca o aniversário do município.
No final do século XIX, o café e a chegada da Companhia Mogyana Estrada de Ferro transformaram a economia local. Já no século XX, imigrantes japoneses e sírio-libaneses trouxeram a cultura do algodão. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município reunia 92.558 habitantes no Censo 2022.
Mogi Mirim, São Paulo // Créditos: Wikimedia CommonsO bunker paulista que ficou escondido no meio do bosque
Em 2008, uma descoberta reacendeu a memória de um dos capítulos mais dramáticos da história paulista. Um túnel construído nos anos 1920, com quase 17 metros de comprimento, veio à tona como o único abrigo subterrâneo conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932 em toda a região.
Segundo a Prefeitura Municipal de Mogi Mirim, a estrutura em alvenaria tem 17 metros de comprimento, 2,10 m de altura e 2,30 m de largura. Foi usada pelas tropas paulistas para proteger explosivos, munição e soldados dos bombardeios da aviação federal. A entrada, com pouco mais de um metro quadrado, ficava escondida pela vegetação, e o abrigo passou despercebido até quando o Exército federal invadiu Mogi Mirim, em setembro de 1932. Restaurado com recursos estaduais, foi reinaugurado em 2021 como Abrigo Subterrâneo Luiz Milano Filho, em homenagem a um combatente mogimiriano. A visitação é gratuita, sempre no primeiro sábado de cada mês.
Mogi Mirim, São Paulo // Créditos: Wikimedia CommonsA Notre-Dame do interior paulista
No centro da cidade, a Igreja Matriz de São José impressiona pela escala. Segundo a Câmara Municipal de Mogi Mirim, o templo tem 68 metros de comprimento por 25 metros de largura, com torres de 32 metros de altura, resultado de uma construção que consumiu 1,2 milhão de tijolos e cinco fases de obra. A pedra fundamental foi lançada em 20 de outubro de 1928, e a inauguração aconteceu em 19 de março de 1942.
O projeto arquitetônico foi elaborado por engenheiros formados pela Escola de Belas Artes de Roma e mescla os estilos gótico e romano, com detalhes em mosaico que remetem à Catedral de Notre-Dame de Paris. A semelhança rendeu o apelido de “Notre-Dame de Mogi Mirim”, e o templo foi tombado como patrimônio histórico municipal pela Lei nº 5.222 de 2011.
O que fazer em Mogi Mirim?
A cidade recebeu o selo de Município de Interesse Turístico (MIT) em março de 2019 e integra a Região Turística Trilhos e Trilhas da Baixa Mogiana. O roteiro combina história, arquitetura e natureza em poucos quilômetros.
Quem procura qualidade de vida e tranquilidade no interior paulista, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal MAIS 50, que conta com mais de 8 mil visualizações, onde o apresentador aborda os pontos positivos e negativos de morar em Mogi Mirim, São Paulo.
Como é o clima em Mogi Mirim durante o ano?
O clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. A cidade fica a cerca de 610 metros de altitude, o que suaviza as temperaturas.
Clima em Mogi Mirim 247Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Mogi Mirim saindo de São Paulo
De carro, o trajeto de 153 km é feito pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) até Campinas, seguindo depois pela Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340). A viagem dura pouco mais de duas horas. Outra opção é a Rodovia Dom Pedro I (SP-065), saindo pela BR-374.
Ônibus regulares partem do Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo, com destino ao Terminal Rodoviário de Mogi Mirim, em cerca de 2h50 de viagem. Para quem vem de avião, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, fica a aproximadamente 50 minutos de carro.
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Vale a pena conhecer Mogi Mirim
Poucas cidades paulistas conseguem contar em um único fim de semana três séculos de história brasileira: da rota dos bandeirantes ao ciclo do café, da chegada dos trens à resistência de 1932. Mogi Mirim faz isso preservando o ar de cidade do interior, arborizada e receptiva.
Você precisa reservar dois dias e sentir a cidade que os paulistas apelidaram de Cidade Simpatia.
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