Próxima Parada: Cristiano Ottoni – Pequena África

VLT Rio de Janeiro

Imagem: Wikipédia

Quando viajo de VLT (Veículo Leve sobre Trilho) no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, ao desembarcar na Parada “Cristiano Ottoni – Pequena África” sinto uma emoção agradável devido a duas razões:

A primeira, é a referência ao  nome do “ Pai das Estradas de Ferro no Brasil”; e a segunda, o fato da Prefeitura prestar justa homenagem ao espaço marcado por fortes traços culturais de herança africana.

Desde 2016 o VLT carioca circula pelo Centro e arredores. É uma versão moderna dos antigos bondes que deixaram de funcionar em 1960.

É um meio de transporte 100% livre de cabos aéreos de energia e com paradas em pontos estratégicos de grande interesse turístico. Além de ser um sistema moderno e sustentável de locomoção, através do qual o passageiro tem uma boa visão panorâmica ; as paradas construídas facilitam o acesso ao porto, trem, metrô, barca, ônibus e aeroporto.

O tempo passa e a revitalização da cidade é algo necessário. A “Parada Cristiano Ottoni – Pequena África” fica localizada defronte a entrada principal da Central do Brasil de onde partem os trens para os bairros do subúrbio onde residem a maioria da “massa trabalhadora”.

Desde longa data existe no local a Praça Cristiano Ottoni com o respectivo monumento do homenageado. Mas, creio que para muitos cariocas o monumento passa desapercebido, ou não procuram saber o nome do personagem histórico ali perpetuado.

É o sinal dos tempos, ou melhor, a agitação do dia-a-dia dos pedestres sempre correndo de casa para o trabalho e vice-versa para garantir o “ganha pão”. Acrescenta-se à isso, na época atual, principalmente nos grandes centros urbanos, o lamentável desinteresse pelos fatos formadores do patrimônio histórico-cultural da região.

Daí, a inauguração da referida estação, ocorrida recentemente, veio colocar em destaque o nome do engenheiro e estadista nascido em Serro, MG, que foi o primeiro diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II (atual Estação Central do Brasil).

E o fato dele ser irmão de Teófilo Otoni (estadista e desbravador heroico da região de Mucuri no nordeste mineiro) é algo digno de registro. Creio que a Família Ottoni constituída de personagens históricos de renome que muito contribuiu para o progresso do País merece ser reverenciada com o devido respeito e gratidão.

Na minha infância morei numa rua do subúrbio carioca defronte a uma Estação Ferroviária e sempre viajei de trem no ramal da Central. E utilizo esse meio de transporte até hoje.

Parece que o “balanço” do trem persiste dentro de mim… Minha preferência sobre os “veículos sobre trilho” permanece inalterada.

E agora, viajar de VLT é uma experiência prazerosa. Quanto a denominação “Pequena África” (várias estações têm dois nomes para fixar a localização geográfica e homenagear a cultura africana) considero sugestiva.

Convém ressaltar que o compositor Heitor dos Prazeres utilizou a referida expressão pela primeira vez no início do séc.20 ao fazer alusão à área onde “fervilhava” a cultura negra carioca e o samba despontava como gênero musical. Além do Centro, a área abrange a Zona Portuária e os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

Com a urbanização da região que não tinha infraestrutura básica, as moradias precárias foram demolidas, e a população negra que vivia a margem da sociedade acabou sendo deslocada para lugares longínquos. Mas, apesar disso, os hábitos e costumes do negro africano fincou raízes no local e influenciou gerações.

E até hoje faz parte do cenário da cultura carioca.

Caso o leitor venha ao Rio, vale a pena viajar no VLT.

Texto de Gladston Salles
Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni,MG

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