O futebol carioca no contexto dos doze grandes do futebol brasileiro

Na maioria dos países em que o futebol é o esporte que ocupa a preferência nacional – como é o caso da maior parte da América do Sul e da Europa –, não é difícil identificar quais são as equipes consideradas grandes a nível nacional. Geralmente, este grupo se restringe a não mais que três ou quatro clubes – vide o caso de Portugal, que conta com Benfica, Sporting e Porto –, embora às vezes fale-se até mesmo em cinco clubes – como no caso da Argentina, que conta com Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing e San Lorenzo.

São esses os clubes que, por terem maior torcida e maior capacidade de investimento, são apontados como os favoritos em qualquer competição nacional que venham a disputar. Um exemplo disso pode ser encontrado nas cotações de sites que oferecem dicas de apostas esportivas online, onde, no último dia 23 de fevereiro, os principais candidatos à conquista do atual Campeonato Espanhol eram, respectivamente, Atlético de Madrid – com um retorno oferecido de 1.62 por aposta vencedora –, Real Madrid – retorno de 3.30 – e Barcelona – retorno de 7.00. A ordem das equipes pode até surpreender – afinal, geralmente Real Madrid e Barcelona estão num patamar acima do Atlético –, mas o fato é que todos sabem que são estes os três grandes da Espanha.

Já o Brasil sempre foi um caso à parte nessa discussão. Por se tratar, como se costuma dizer, de um país de dimensões continentais, aqui as rivalidades regionais sempre foram muito importantes. Com isso, os clubes dos grandes centros futebolísticos que ao longo do século XX se mostraram mais competitivos nas disputas de seus respectivos campeonatos estaduais acabaram por ser considerados grandes também a nível nacional. E é por isso que até hoje se costuma dizer que o Brasil tem não três ou quatro, mas nada menos que doze grandes clubes de futebol: quatro no estado de São Paulo, quatro no Rio de Janeiro, dois em Minas Gerais e dois no Rio Grande do Sul.

E, de todos esses quatro estados da federação, o exemplo mais impressionante no que se refere a essa discussão é o Rio de Janeiro, visto que é bem provável que a capital fluminense seja a única cidade no mundo inteiro que conta com quatro clubes grandes a nível nacional: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama. No entanto, é justamente o desempenho dos clubes cariocas nas últimas duas décadas que mais vem levando jornalistas esportivos e torcedores a reavaliarem essa questão: afinal, até que ponto – ou, melhor dizendo, até quando – ainda será possível falar em doze grandes clubes?

Essa é uma discussão que vem sendo trazida à tona ao fim de cada temporada, e o fato de no Campeonato Brasileiro de 2020 Botafogo e Vasco terem sido – mais uma vez – rebaixados só faz reforçar o argumento daqueles que dizem que seria mais correto reduzir o número de clubes grandes do Brasil. Se isso de fato deve ou não ser feito é algo que depende do que cada pessoa entende como “grande”, e esse texto não se presta a avaliar todos esses possíveis critérios. No entanto, o que vem ficando cada vez mais claro para os brasileiros que amam futebol é que tradição, por si só, não é mais o bastante para sustentar o sucesso de um clube no cada vez mais competitivo e profissional cenário do futebol nacional.

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