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Antônio Cardoso - Bahia



Antônio Cardoso faz parte do estado da Bahia. Com população de 12.074 habitantes (censo do IBGE 2007). Localiza na margem esquerda do rio Paraguaçu.

O desbravamento do sertão ocorreu pelos grupos de invasores que partiam nas chamadas entradas ou bandeiras do litoral para o oeste. Os Portugueses foram avançando para o interior usando as margens dos rios como orientação, abrindo rotas na vegetação. A bacia do Paraguaçu foi indispensável na ocupação do sertão baiano. O Vale do Paraguaçu foi desbravado ainda no século XVI, precisamente por volta de 1561, pelo português Vasco Rodrigues de Caldas, segundo Eduardo Canabrava Barreiros em seu livro “Roteiro das Esmeraldas”. “Em 1588, o português Vasco Rodrigues de Caldas iniciou a guerra contra os índios do Vale do Paraguaçu: Tupinambás, Maracás e Paiaiás” (ROCHA, José. Terra dos Ipecas II. Munartgraf, Feira de Santana, 2009). “As Vias hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram fundamentais na história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território brasileiro, tornando-se verdadeiros eixos histórico-culturais de construção de parte da nossa história... segundo o pesquisador de rotas antigas Mario Santos, sabe-se que imigrantes, escravos e mercadores utilizavam, antes mesmo do século XVII, uma rota que nascia na “cidade da Bahia”, seguia o curso do Rio Paraguaçu até a Vila de Rio de Contas, hoje cidade, para atingir as margens do Rio São Francisco. A rota baiana foi uma importante via de circulação de mercadorias nas três primeiras décadas do ciclo do ouro, perdendo o significado econômico quando o Rio de Janeiro se firmou como principal entreposto da capitania mineira. A rota baiana também ficou conhecida como “descaminho” do ouro e do diamante, onde os minerais preciosos eram contrabandeados....”. (Diário Oficial dos Municípios. Estado da Bahia, Salvador, Ano XC, nº 19.213, de 21 de agosto de 2006).

No atual território existe uma estrada antiga ou boiadeira ao leste, vindo do sentido do Porto da Cachoeira, subindo a margem do rio Paraguaçu no encontro com o rio Jacuípe na comunidade de Lagoa, no norte segue a margem do rio Cavaco, cortando a BR-116 sul no local chamado Paus Altos, passando na proximidade da fazenda Cavaco e sobe em direção a Chapada Diamantina. Nela viajavam as boiadas conduzidas pelos vaqueiros e as tropas de burros carregados de fumo, ovos de galinha e outros animais de pequeno porte para serem comercializados na Vila de Cachoeira e circunvizinhanças. Quando voltava traziam carne de sol, farinha de mandioca e outros artigos alimentícios (mantimentos) para serem vendidos nos arraias do interior ou surtir os pequenos negócios das comunidades do sertão. A região ao oeste do encontro do Paraguaçu com o Jacuípe era ocupada pelos nativos (índios Payayas e outros que vinham recuando do litoral forçados pelos ataques dos brancos). Depois os negros escravizados, senhores de escravos e descendentes miscigenados dessas três etnias foram instalando. Após a criação da Sesmaria de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira no recôncavo da Capitania da Baía de Todos os Santos (Bahia) a região do Paraguaçu passou a ser administrada pela Câmara Municipal de Cachoeira. A chegada do Jesuíta José de Aragão e Araujo por volta de 1690, na região da margem esquerda do Paraguaçu, já desbravada na época das bandeiras, vindo dos Conventos da Cachoeira, subiu o médio Paraguaçu e criou a humilde capela de palha com invocação ao Santo Estêvão (1º) ao norte da foz do Paraguaçu e ao oeste da margem do rio Jacuípe na sua fazenda de mesma denominação da imagem. O lugar era populoso na época e começou a ser povoado.

História da cidade de Antônio Cardoso

No início das invasões portuguesas sobre a América esse território fazia parte da sesmaria de Cachoeira. Por volta de 1690 foi instalada na região a humilde capela de palha com a invocação a Santo Estêvão (1º), entre a margem esquerda do médio Paraguaçu e o rio Jacuípe ao leste, com a fazenda do padre jesuíta, José de Aragão e Araújo, de mesma denominação, vindo dos conventos de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira para catequizar os nativos (índios), escravos, invasores e os descendentes que já viviam dispersos na região desde essa época. Outro padre português da Companhia de Jesus, chamado José da Costa Almeida fixou-se na fazenda por nome de Santo Estêvão que hoje tem o nome de Santo Estêvão Velho. A capela de Santo Estêvão não foi elevada à condição de Freguesia em seu lugar primitivo.

Depois de 49 anos da imagem presente no local, o padre José da Costa Almeida, resolveu abandonar a fazenda e retirar o santo, em 1739, por causa da seca, que o forçou sair em busca de comida e água para seu rebanho, vindo a instalar-se alguns quilômetros de distância da primeira capela, nas vizinhanças do riacho Salgado.

Edificou uma segunda capela onde celebrava o santo sacrifício da missa e deu nome de Santo Estêvão, trazendo consigo a imagem de sua devoção, o Padroeiro. Só que no dia seguinte não encontrou a imagem no lugar, já estava no local de origem. O padre não tinha a intenção de dividir os devotos aliciados ao Santo Estêvão na região, mas tinha feito na prática. Provocando uma disputa pela posse da imagem do santo entre as comunidades da 1ª e 2ª Capela.

O Padre levava a imagem para a segunda capela, mas alguém da 1ª capela que discordava com sua retirada buscava para o lugar anterior. Esse fato se repetiu várias vezes. Apenas depois de 12 anos dessa disputa entre os moradores da 1ª capela e 2ª pela imagem do Santo Estêvão que o impasse veio ser resolvido.

Os administradores da Igreja Católica na Capitania da Bahia, na época, providenciaram outra imagem do santo diferente da primitiva na região e batizou o local da 2ª capela de Santo Estêvão Novo, em 1751. Enquanto a 1ª capela passou a chamar-se popularmente de Santo Estêvão Velho, em oposição.

Em 1752, por Resolução do 8º Arcebispo da Capitania da Bahia, Dom José Botelho de Matos, por entender que os moradores da 1ª capela não teriam aceitado retirar a imagem do local, eleva a capela nova à categoria de Freguesia (distrito), de 2ª classe, com a denominação de Santo Estêvão do Jacuípe e nomeou o seu primeiro Vigário, Padre Antonio Rodrigues Nogueira.

Com essa decisão, esse Arcebispo, toma por definitivo o nome do santo da capela velha, que deu a nova. A 1ª capela acabou perdendo a patente (nome) sobre a imagem do santo. Atrasando a urbanização da Capela Velha e o desenvolvimento econômico do território. Atrapalhando a independência do local. A partir daí a capela Velha ficou desativada pela Igreja Católica. Continuou cuidada por seus moradores. A capela nova herdou o nome da estátua enquanto a velha ficou com o conteúdo histórico, a margem do rio Jacuípe e a primeira imagem trazida da Europa pelos Jesuítas.A região da 1ª capela ficou dominada pela Freguesia de Santo Estêvão do Jacuípe como distrito de Cachoeira.

A presença da imagem do Santo Estêvão na capela Velha passou a representar o protesto e a resistência de seus moradores com a retirada do santo. Os moradores da 1ª capela descontentes continuaram não aceitando as ordens da 2ª capela (Freguesia de Santo Estevão do Jacuípe).

No dia 12/08/1823, o vigário morador da freguesia de Santo Estêvão do Jacuípe (novo), Francisco Gomes dos Santos Almeida, que participou dos conflitos de Independência no Porto de Cachoeira, após chegar ao local, "presenteia" o território da 1ª capela com o pedido ao Arcebispado Titular da Província da Bahia, com Sede vacante, para criar uma capela denominada de Nossa Senhora do Resgate no lugar em que só existiam pés da árvore Umburanas com Gravatá no meio do latifúndio da Fazenda Cavaco, visando conformar os moradores da 1ª capela insatisfeitos com a perda do nome do santo para a capela vizinha. Essa decisão acabou dividindo os moradores do atual território porque o devoto de um santo não aceita o outro. Portanto a Santa Resgate não tinha como apagar nem fundir a fé ao Santo Estêvão.

Através da Resolução Provincial nº 183, de 10/04/1843, sancionada pelo Presidente da Província da Bahia, Joaquim José Pinheiros de Vasconcelos, o território da capela de Santo Estêvão Velho foi elevado à categoria de Freguesia com o nome de Nossa Senhora do Resgate das Umburanas, cujos limites territoriais, na época, eram: ao sul com a Freguesia de São Pedro do Monte de Muritiba (1705); ao norte com a Vila do Arraial de Feira de SantAnna (1833); ao leste com a Freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira (1693) e a Freguesia de São Gonçalo dos Campos(1696); ao oeste com a Freguesia de Santo Estêvão do Jacuípe(1752).

Coube ao 17º Arcebispado da Província da Bahia, Dom Romualdo Antonio de Seixas celebrar a elevação da capela à categoria de Freguesia (subdistrito) de 3ª Classe, desmembrada do Ado (Santo Estevão novo) e continuou como filial (distrito) do mesmo no Município de Cachoeira. O subdistrito de Resgate passou a dominar a capela de Santo Estevão Velho.

Depois de 153 anos de história e presença da estátua do santo instalada no local, foi que o território veio ser elevado à categoria de Freguesia (distrito). Como subdistrito, sua área limitou a primitiva, encravada entre o desaguamento do Jacuípe no médio Paraguaçu ao leste e do Curumatai ao oeste. O território continuou dominado pela Freguesia de Santo Estêvão do Jacuípe (novo) até a Lei Provincial nº 804/1876, que incorporou ao território da Cidade Comercial de Feira de Santana para separar os santos Estêvão e abafar a perda do nome do santo pela Capela Velha.

Depois a região da capela de Santo Estevão Velho, foi incorporada a Vila de São Gonçalo dos Campos quando este foi criado com a Lei Provincial nº 2.460, de 28/07/1884, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora do Resgate das Umburanas; em 1920 denomina-se Umburanas tendo o nome mudado por imposição do Poder Estadual para Uberlândia pelo Decreto Estadual nº 11.089, de 30/11/1938, de autoria do Interventor Federal na Bahia Landulpho Alves, que modificava as denominações de várias comunidades do Estado. Sem consultar seus habitantes nem apresentar explicações convincentes para justificar a mudança. Algum tempo depois, resgataram seu nome histórico que identifica a unidade territorial e respectiva cultura da população. Nenhum representante do distrito de Umburanas na época deu importância.

A identidade do atual território de Antonio Cardoso acabou prejudicada por esse decreto, mais uma vez com a perda do seu nome original, descaracterizando a memória coletiva do lugar que já encontrava abalada. Seu efeito desastroso causou a dispersão daqueles moradores que vinham resistindo a arbitrariedade histórica causada pelo deslocamento da imagem do Santo Estêvão do local. Provocando a divisão da população entre a comunidade de Santo Estêvão Velho e Nossa Senhora do Resgate (Umburanas). Nem uma, nem a outra, desenvolveu deixando o município paralisado. Até hoje o território continua com a posse sobre a Padroeira Nossa Senhora do Resgate, mas perdeu a patente do seu nome acompanhante que identificava às suas tradições culturais.

A santa que simboliza a unidade da cultura popular e administrativa, embora, não aceita pelos devotos de Santo Estevão tornou uma embalagem sem conteúdo no lugar ou uma luz sem brilho. Posteriormente, a denominação do distrito mudou para Tinguatiba pelo Decreto Lei Estadual nº 141, de 31/12/1943, retificado pelo Decreto estadual nº 12.978, de 01/06/1944, e o nome do território da capela de Santo Estêvão Velho foi mudado para Antonio Cardoso, com a criação do Município pelo projeto de Lei Estadual nº 1.794/61. Foi transformado na Lei Estadual nº 1.682, de 18/04/1962, sendo instalado (emancipado de São Gonçalo dos Campos) em 14/04/1963

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Resgate de Umburanas, pela lei provincial nº 183, de 10-04-1843, subordinado ao município de São Gonçalo dos Campos.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Resgate de Umburanas, figura no município de São Gonçalo dos Campos.

Assim permanecendo em nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1-IX-1920.

Pelos decretos estaduais nºs 7455, de 23-06-1931, e 7479, de 08-07-1931, o município de São Gonçalo dos Campos tomou o nome de simplesmente São Gonçalo.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Resgate de Umburanas, figura no município de São Gonçalo (ex-São Gonçalo dos Campos).

Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.

Pelo decreto estadual nº 11089, de 30-11-1938, o distrito de Resgates de Umburanas passou a denominar-se Uberlândia.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o distrito de Uberlândia, figura no município de São Gonçalo.

Pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo decreto-lei estadual nº 12978, de 01-06-1944, o distrito de Uberlândia tomou a denominação de Tinguatiba o município de São Gonçalo voltou a denominar-se São Gonçalo dos Campos.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito de Tinguatiba, figura no município de São Gonçalo dos Campos (ex-São Gonçalo).

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.

Elevado à categoria de município com a denominação de Antônio Cardoso, pela lei estadual nº 1682, de 18-04-1962, desmembrado de São Gonçalo dos Campos. Sede no atual distrito de Antônio Cardoso (ex-Tinguatiba). Constituído do distrito sede. Instalado em 14-04-1963.

Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município já denominado Antônio Cardoso é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1999.

Pela lei municipal nº 030, de 03-08-1999, é criado o distritos de Santo Estevão Velho e anexado ao município de Antônio Cardoso.

Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído de 3 distritos: Antônio Cardoso, Poço e Santo Estevão Velho.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Alterações toponímicas distritais

Resgate de Umburanas para Uberlândia, alterado pelo decreto estadual nº 11089, de 30-11-1938.

Uberlândia para Tinguatiba, alterado pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo decreto-lei estadual nº 12978, de 01-06-1944.

Tinguatiba para Antônio Cardoso, alterado pela lei estadual nº 1682, de 18-04-1962.

Fonte: www.santoestevao.ba.gov.br GALVãO, Mons. Renato de Andrade. Notas sobre Antonio Cardoso Tribunal Regional Eleitoral em 2008. Arquivo Público do Estado da Bahia Câmara Municipal de Vereadores de Antonio Cardoso IBGE

Autor do Histórico: ARNALDO DA SILVA SOARES

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Síntese das Informações
Área da unidade territorial - 2015: 294,452: km²
Estabelecimentos de Saúde SUS: 7: estabelecimentos
Matrícula - Ensino fundamental - 2015: 1.939: matrículas
Matrícula - Ensino médio - 2015: 214: matrículas
Número de unidades locais: 33: unidades
Pessoal ocupado total: 685: pessoas
PIB per capita a preços correntes - 2014: 7.813,29: reais
População residente : 11.554: pessoas
População residente - Homens: 5.734: pessoas
População residente - Mulheres: 5.820: pessoas
População residente alfabetizada: 7.506: pessoas
População residente que frequentava creche ou escola : 3.965: pessoas
População residente, religião católica apostólica romana: 10.250: pessoas
População residente, religião espírita: -: pessoas
População residente, religião evangélicas: 766: pessoas
Valor do rendimento nominal médio mensal dos domicílios particulares permanentes com rendimento domiciliar, por situação do domicílio - Rural: 891,28: reais
Valor do rendimento nominal médio mensal dos domicílios particulares permanentes com rendimento domiciliar, por situação do domicílio - Urbana: 1.171,42: reais
Valor do rendimento nominal mediano mensal per capita dos domicílios particulares permanentes - Rural: 184,29: reais
Valor do rendimento nominal mediano mensal per capita dos domicílios particulares permanentes - Urbana: 277,50: reais
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - 2010 (IDHM 2010): 0,561:

Fonte:IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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